Trabalho
realizado pelo grupo de alunos: Ana Beatriz Cavalcante, Carlos, Elizabete,
Marcelo Pedro Marinho, Susilena, como pré-requisito da disciplina de História
da Psicologia, na Faculdade FAMA, Vilhena – RO.
Desenvolvimento
Sabemos que a
psicologia cognitiva é um campo da
psicologia, que vem apresentado um crescimento significativamente relevante
nesta última década, mas pergunta-se: - O que é a psicologia cognitiva? Na
busca de uma definição podemos dizer que “[...] a psicologia
cognitiva trata do modo como às pessoas percebem, aprendem, recordam e
pensam sobre a informação.” (STERNBERG, 2000,
p.22).
Numa
abordagem histórica da psicologia, somos reportados para os primórdios da
filosofia, onde temos duas linhas distintas de pensamentos na construção do
saber: Platão com uma abordagem racionalista (a verdade poderia ser obtida
através da razão ou da lógica) e Aristóteles com uma abordagem empirista (a
verdade poderia ser obtida por meio da experiência e da observação – através dos sentidos). O filosofo alemão Immanuel kant, diante destas duas
abordagens, da inicio a uma síntese dialética destas duas escolas de pensamentos que, resultou em uma profunda mudança no
campo da nova ciência. “O enorme impacto de Kant na filosofia interagiu com a
exploração cientifica do corpo e de como este funciona, no século XIX,
produzindo profundas influências no estabelecimento definitivo da psicologia
como uma disciplina, [...]”
(STERNBERG, 2000, p.25).
O conhecimento
filosófico aliado às novas descobertas no campo da fisiologia, no período do
final do século XVIII e início do Século XIX, propiciou o nascimento de uma nova área da ciência denominada pelos seus
próprios criadores como: Psicologia.
A ideia
de que os métodos das ciências físicas e biológicas poderiam se aplicar ao estudo de fenômenos mentais foi herdada
do pensamento filosófico e
das pesquisas fisiológicas
dos séculos XVII
a XIX. Essa época
fervilhante constitui o cenário imediato do surgimento da psicologia moderna. Enquanto os filósofos do século passado preparavam
o campo para a abordagem experimental do funcionamento da mente, os fisiologistas atacavam
ardentemente os mesmos problemas a partir de
outra direção, e davam largos passos à
compreensão dos mecanismos corporais que estão na
base dos processos mentais
(SCHULTZ, 1981, p.18).
A psicologia crescia como uma disciplina
cientifica com foco de estudo na mente e no comportamento, gradualmente se
emancipava da filosofia e da fisiologia. Inicialmente passa pelo campo do Estruturalismo, seguido depois
pelo Funcionalismo, o Associacionismo e finalmente o Behaviorismo. Estes
últimos dando grande ênfase ao comportamento observável.
No grupo dos
Behavioristas, alguns começaram a ir além da temática exclusivamente
comportamental, questionaram sobre os mistérios da “caixa-preta” da mente e a
sua influencia sobre o ser. Edward Tolman era um desses visionários que ousou
ir além do modelo predominante até o momento do Estímulo-Resposta (E – R),
pois, segundo ele “Uma descrição completa do comportamento tinha de ser Estímulo-Organismo-Resposta
(E – O – R), reconhecendo o fato de que o comportamento não ocorre em um vácuo
mental.” (STERNBERG, 2000, p.29), graças a
esta implicação ele é considerado um dos predecessores da psicologia cognitiva.
Um dos discípulos de Watson[1],
Karl Spencer Lashley, inclinado ao estudo da neuroanatomia, apresenta o cérebro
como um dos pilares centrais na governabilidade das atividades humanas. A
complexidade de algumas atividades não poderia ser explicada apenas pelo modelo
behaviorista do Estímulo-Resposta (E – R), como por exemplo, “[...] o desempenho musical, as
atividades esportivas e o uso da linguagem – [...]” (STERNBERG, 2000, p.30).
B. F. Skinner[2] combate
esta ideia em larga dissertação (livro)[3]
reafirmando que toda a linguagem poderia ser adquirida e usada apenas com o
modelo de contingencia do Estímulo-Resposta. Este trabalho é confrontado
com a publicação do livro Estruturas
Sintático (1957) do linguista Avram Noam Chomsky[4],
que passa a apresentar uma gama de possibilidades e complexidades que excede as
capacidades eliciadas no modelo behaviorista. “Mesmo as crianças pequenas estão
continuamente produzindo novas frases para as quais não poderiam ter sido
reforçadas no passado”. (STERNBERG, 2000, p.30).
Outro
opositor a abordagem behaviorismo foi George Miller[5],
doutor em psicologia, dedicado ao estudo da psicolinguística, publica em 1951 Language and Communication (Linguagem da
Comunicação) e cria um Centro de pesquisas cognitivas na Universidade de
Harvard. Interessante o fato de que ele mesmo não tinha em mente a dimensão do
que a “nova psicologia” poderia alcançar, “[...] Miller não acreditava que a psicologia cognitiva fosse uma
verdadeira revolução.” (SCHULTZ, 1981, p.
406).
Miller estabelece o programa de ciências
cognitivas e abre na Universidade de Princeton, o laboratório de ciências
cognitivas. Torna-se o precursor na sistematização dos estudos desta
disciplina, o que é precedido pelo rápido desenvolvimento da abordagem de
psicologia que ele tanto se empenhou em defir.
Na década de
50 aparece em sena Ulric Neisser[6],
que influenciado pelo seu professor de psicologia George Miller, apresenta um
crescente interesse pela abordagem cognitiva da psicologia. Como aconteceu com
seus demais predecessores, ele se depara com a “muralha” da psicologia behaviorista
que era, em ultima estância, quem dava a palavra final sobre a ciência da
psicologia. Graças a Abrahan Maslow[7],
diretor do departamento de psicologia na Brandeis University que Ulric pode
continuar a desenvolver seus estudos nas questões cognitivas.
Uma das
primeiras definições de psicologia cognitiva é realizada mediante o trabalho
visionário de Neisser onde, ela conceituada como “[...] o estudo da maneira como as pessoas aprendem, estruturam,
armazenam e usam o conhecimento.” (STERNBERG, 2000,
p.30).
Ela cresce muito
no final da década de 70 e alcança um reconhecimento importante como um campo
de estudo da psicologia e passa a ter um conjunto característico de métodos de
pesquisa.
Método
de Estudo
Quando
falamos em pesquisa na psicologia cognitiva, somos remetidos à ideia de que,
passaremos a ver a observação a analise apenas dos processos da mente, porem,
assim como as demais áreas da ciência, ela nos apresenta toda uma sistemática
metodológica de processos que tendem a confirmar ou refutar as suas teses. De
uma forma bem resumida, poderemos dizer que para alcançar seus objetivos “[...] incluem a coleta de dados, a
analise de dados, o desenvolvimento teórico, a formulação da hipótese, o teste
de hipótese e talvez até a aplicação de meios externos ao ambiente da
pesquisa.” (STERNBERG, 2000, p.31).
Vimos que há
uma trajetória metodológica para alcançar os objetos pelos pesquisadores da
psicologia cognitiva, onde, mesmo que o foco principal sejam os processos
cognitivos, ela deverá trilhar os caminhos do convencionalismo cientifico, por
exemplo: A coleta de dados “[...] que
reflete um aspecto empírico da investigação cientifica [...]” (STERNBERG, 2000, p.32).
O pesquisador
pode ou ter noções preconcebidas do seu objeto de estudo, mas uma vez que
esteja de posse dos dados coletados isto permitira várias séries de analises
estatísticas para a formulação de descrições dos resultados ora apresentados,
assim, teremos a formulação das hipóteses.
As hipóteses
precisam passar pelo crivo da experimentação.
Mas o que seria isso? _Elas seriam novamente submetidas à validação dos dados
para a validação deste saber.
Segundo
Sternberg, a psicologia cognitiva tem desenvolvida e confirmada, em seu
histórico de desenvolvimento, uma metodologia especifica para a pesquisa,
descrita a seguir: “[...] (a) experimentos
controlados de laboratório ou outros, (b) pesquisa psicobiológica, (c)
auto-relatos, (d) estudos de casos, (e) observação naturalista e (f) simulações
computadorizadas e inteligência artificial.” (STERNBERG, 2000, p.32).
Sternberg
descreve também, uma técnica específica para a pesquisa Psicobiológica,
composta geralmente por três categorias distintas:
[...]
(1) técnicas para estudar o cérebro de uma pessoa post-mortem (após a morte de um indivíduo), relacionando a função
cognitiva do mesmo anterior à morte com características cerebrais observáveis; (2)
técnicas para estudar imagens que mostram as estruturas ou as atividades no
cérebro de uma pessoa sabidamente possuidora de um déficit cognitivo
especifico; ou (3) técnicas para obter informações sobre os processos cerebrais
durante o desempenho de uma atividade cognitiva. (STERNBERG, 2000,
p.33).
A pesquisa em
psicologia cognitiva abrange um campo interdisciplinar, utilizando-se das
descobertas da neurociência com relação à cognição, da psicobiologia, da
inteligência artificial, da filosofia, da linguística e da antropologia. Destes
conhecimentos adquiridos, os pesquisadores cognitivos buscam a descrição de
como os seres humanos adquirem e da sua utilização.
Objeto
de Estudo
Segundo
Sternberg, algumas propostas devem ser levadas em consideração, pois algumas
destas questões se aproximam do âmago da natureza da mente humana.
1) Questões–chave
na psicologia cognitiva:[8]
a) O que influencia mais a cognição humana – a
natureza ou a educação humana? A metodologia de pesquisa a ser desenvolvida
passara necessariamente por indagações como estas e uma vez que focalizarmos a
primeira tenderemos a valorizarmos mais as características cognitivas inatas –
tendendo para uma valorização dos aspectos da fisiologia –, focando a segunda,
o ambiente passa ter maior peso na sistemática da pesquisa.
b) Racionalismo versus empirismo – Nesta dialética buscamos descobrir a realidade sobre
nós – características intrínsecas ao ser –, e sobre o mundo que nos cerca, mas
como descobrir está realidade? Na busca pela razão ou através da percepção?
c) Estruturas versus processos – Qual dos dois atenderia melhor as indagações da
pesquisa: Uma abordagem estrutural (conteúdos, atributos e produtos) da mente
humana ou a analise dos processos cognitivos do pensamento?
d) Generalidade de domínio versus especificidade de domínio – Na
observação de processos, estes estão ligados a domínios individuais ou gerais?
Os resultados de um determinado domínio são aplicáveis a todos os demais
domínios ou apenas a aqueles observados?
e) Validade das inferências causais versus validade ecológica – No estudo do
pensamento devemos nos ater a experimentos altamente controlados, que
possibilitam uma obtenção de maiores inferências validos ou utilizarmos
técnicas mais comuns (naturais), que por sua vez permitiram uma probabilidade
de resultados economicamente validos, ainda que necessário o controle
experimental?
f) Pesquisa básica versus pesquisa aplicada – Qual deve ser a
foco do psicólogo pesquisador? Pesquisar os processos cognitivos primários ou a
colocar em pratica este conhecimento para auxiliar as pessoas a usarem a
cognição em situações práticas.
[1] John Broadus Watson
(1878-1958) foi considerado o pai do behaviorismo metodológico, ao publicar, em
1913, o artigo "Psicologia vista por um Behaviorista", que declarava
a psicologia como um ramo puramente objetivo e experimental das ciências
naturais, e que tinha como finalidade prever e controlar o comportamento de
todo e qualquer indivíduo. Disponível em: < http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos_Psicologia/Behaviorismo. htm>. Acesso em: 03 mai. 2013.
[2] Burrhus Frederic
Skinner (1904 - 1990), psicólogo americano comumente tido, - erroneamente, como o fundador do
Behaviorismo. Foi o mais famoso representante desta corrente da psicologia,
fundada por seu compatriota John Watson. Desenvolveu os
princípios do condicionamento operante e a sistematização do modelo de seleção
por consequências para explicar o comportamento. Disponível
em: < http://www.cobra.pages.nom.br/ecp-skinner.html >. Acesso em: 03 mai. 2013.
[3] O Verbal Behavior é considerado a obra
mais importante de B. F. Skinner. Pela sua importância
este livro foi amplamente discutido e criticado. Disponível em: < http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/ view/414 >. Acesso em: 04 mai. 2013.
este livro foi amplamente discutido e criticado. Disponível em: < http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/ view/414 >. Acesso em: 04 mai. 2013.
[4] Chomsky nasceu na
Filadélfia, Estados Unidos, em 1928. Em 1945 começou a estudar filosofia e
linguística na Universidade da Pensilvânia, onde também fez seu doutorado dez
anos depois. Mas foi nos anos anteriores, em Harvard, que ele desenvolveu a
maior parte de sua pesquisa. A sua tese de doutorado, um trabalho de mais de
mil páginas, apresentava suas ideias originais sobre linguística e suas
críticas à teoria de Skinner. Disponível em: < http://redeglobo.globo.com/globociencia/noticia/2011/09/saussure-skinner-e-chomsky-deram-grandes-contribuicoes-linguistica.html >.
Acesso em: 03 mai. 2013.
[5] George A. Miller, em pleno George
Armitage Miller (nascido em 03 de
fevereiro de 1920, Charleston, West Virginia, nos EUA faleceu em 22 de julho de
2012 Plainsboro, New Jersey), psicólogo americano. He taught at Harvard, Rockefeller, and Princeton
universities. Lecionou em Harvard, Rockefeller,
Princeton e universidades. He is known for
his work in cognitive psychology, particularly communication and
psycholinguistics. Ele é conhecido por seu
trabalho em psicologia cognitiva, especialmente a comunicação e
psicolinguística. In (with Eugene Galanter and Karl Pribram, 1960), Miller
examined how knowledge is accumulated and organized into a practical “image” or
plan. Em Planos
e da estrutura do comportamento (com
Eugene Galanter e Karl Pribram, 1960), Miller analisou a forma como o
conhecimento é acumulado e organizado em uma "imagem" prático ou
plano. Disponível em:
<http://www.britannica.com/EBchecked/topic/1382641/George-A-Miller>. Acesso em: 12 mai. 2013.He also contributed to the birth of and in general.
[6] Nascido em Kiel, na
Alemanha, Ulric Neisser foi para os
Estados Unidos, juntamente com os pais, aos três anos. Depois de obter a
graduação com bacharel em Harvard, em 1950, recebeu o título de mestrado na
Swarthmore College, estudando sob a orientação do psicólogo da Gestalt,
Wolfgang Köhler. Retornou a Harvard para obter o Ph.D, que completou em 1956. Disponível em: < http://www.psicoloucos.com/Ulric-Neisser/biografia-de-ulric-neisser.html >. Acesso em: 04 mai. 2013.
[7] Psicólogo norte-americano, Abraham Maslow foi o criador da
hierarquia de necessidades, conhecida como a “Pirâmide de Maslow”. Disponível em: <http://www.infoescola.com/biografias/abraham-maslow/>. Acesso em: 04 mai. 2013.
[8]
Sternberg, Robert J., (2000). Psicologia Cognitiva. Trad. Maria Regina Borges Osório. Artmed. p.
38.
