segunda-feira, 17 de junho de 2013

PSICOLOGIA COGNITIVA



Trabalho realizado pelo grupo de alunos: Ana Beatriz Cavalcante, Carlos, Elizabete, Marcelo Pedro Marinho, Susilena, como pré-requisito da disciplina de História da Psicologia, na Faculdade FAMA, Vilhena – RO.

Desenvolvimento
Sabemos que a psicologia cognitiva é um campo da psicologia, que vem apresentado um crescimento significativamente relevante nesta última década, mas pergunta-se: - O que é a psicologia cognitiva? Na busca de uma definição podemos dizer que “[...] a psicologia cognitiva trata do modo como às pessoas percebem, aprendem, recordam e pensam sobre a informação.” (STERNBERG, 2000, p.22).
Numa abordagem histórica da psicologia, somos reportados para os primórdios da filosofia, onde temos duas linhas distintas de pensamentos na construção do saber: Platão com uma abordagem racionalista (a verdade poderia ser obtida através da razão ou da lógica) e Aristóteles com uma abordagem empirista (a verdade poderia ser obtida por meio da experiência e da observação – através dos sentidos). O filosofo alemão Immanuel kant, diante destas duas abordagens, da inicio a uma síntese dialética destas duas escolas de pensamentos que, resultou em uma profunda mudança no campo da nova ciência. “O enorme impacto de Kant na filosofia interagiu com a exploração cientifica do corpo e de como este funciona, no século XIX, produzindo profundas influências no estabelecimento definitivo da psicologia como uma disciplina, [...]” (STERNBERG, 2000, p.25).
O conhecimento filosófico aliado às novas descobertas no campo da fisiologia, no período do final do século XVIII e início do Século XIX, propiciou o nascimento de uma nova área da ciência denominada pelos seus próprios criadores como: Psicologia.
A ideia de que os métodos das ciências físicas e biológicas poderiam se aplicar ao estudo de fenômenos mentais foi herdada do pensamento filosófico e das pesquisas fisiológicas dos séculos XVII a XIX. Essa época fervilhante constitui o cenário imediato do surgimento da psicologia moderna. Enquanto os filósofos do século passado preparavam o campo para a abordagem experimental do funcionamento da mente, os fisiologistas atacavam ardentemente os mesmos problemas a partir de outra direção, e davam largos passos à compreensão dos mecanismos corporais que estão na base dos processos mentais (SCHULTZ, 1981, p.18).
 A psicologia crescia como uma disciplina cientifica com foco de estudo na mente e no comportamento, gradualmente se emancipava da filosofia e da fisiologia. Inicialmente passa pelo campo do Estruturalismo, seguido depois pelo Funcionalismo, o Associacionismo e finalmente o Behaviorismo. Estes últimos dando grande ênfase ao comportamento observável.
No grupo dos Behavioristas, alguns começaram a ir além da temática exclusivamente comportamental, questionaram sobre os mistérios da “caixa-preta” da mente e a sua influencia sobre o ser. Edward Tolman era um desses visionários que ousou ir além do modelo predominante até o momento do Estímulo-Resposta (E – R), pois, segundo ele “Uma descrição completa do comportamento tinha de ser Estímulo-Organismo-Resposta (E – O – R), reconhecendo o fato de que o comportamento não ocorre em um vácuo mental.” (STERNBERG, 2000, p.29), graças a esta implicação ele é considerado um dos predecessores da psicologia cognitiva.
 Um dos discípulos de Watson[1], Karl Spencer Lashley, inclinado ao estudo da neuroanatomia, apresenta o cérebro como um dos pilares centrais na governabilidade das atividades humanas. A complexidade de algumas atividades não poderia ser explicada apenas pelo modelo behaviorista do Estímulo-Resposta (E – R), como por exemplo, “[...] o desempenho musical, as atividades esportivas e o uso da linguagem – [...]” (STERNBERG, 2000, p.30).
B. F. Skinner[2] combate esta ideia em larga dissertação (livro)[3] reafirmando que toda a linguagem poderia ser adquirida e usada apenas com o modelo de contingencia do Estímulo-Resposta. Este trabalho é confrontado com a publicação do livro Estruturas Sintático (1957) do linguista Avram Noam Chomsky[4], que passa a apresentar uma gama de possibilidades e complexidades que excede as capacidades eliciadas no modelo behaviorista. “Mesmo as crianças pequenas estão continuamente produzindo novas frases para as quais não poderiam ter sido reforçadas no passado”. (STERNBERG, 2000, p.30).
Outro opositor a abordagem behaviorismo foi George Miller[5], doutor em psicologia, dedicado ao estudo da psicolinguística, publica em 1951 Language and Communication (Linguagem da Comunicação) e cria um Centro de pesquisas cognitivas na Universidade de Harvard. Interessante o fato de que ele mesmo não tinha em mente a dimensão do que a “nova psicologia” poderia alcançar, “[...] Miller não acreditava que a psicologia cognitiva fosse uma verdadeira revolução.” (SCHULTZ, 1981, p. 406).
Miller estabelece o programa de ciências cognitivas e abre na Universidade de Princeton, o laboratório de ciências cognitivas. Torna-se o precursor na sistematização dos estudos desta disciplina, o que é precedido pelo rápido desenvolvimento da abordagem de psicologia que ele tanto se empenhou em defir.       
Na década de 50 aparece em sena Ulric Neisser[6], que influenciado pelo seu professor de psicologia George Miller, apresenta um crescente interesse pela abordagem cognitiva da psicologia. Como aconteceu com seus demais predecessores, ele se depara com a “muralha” da psicologia behaviorista que era, em ultima estância, quem dava a palavra final sobre a ciência da psicologia. Graças a Abrahan Maslow[7], diretor do departamento de psicologia na Brandeis University que Ulric pode continuar a desenvolver seus estudos nas questões cognitivas.
Uma das primeiras definições de psicologia cognitiva é realizada mediante o trabalho visionário de Neisser onde, ela conceituada como “[...] o estudo da maneira como as pessoas aprendem, estruturam, armazenam e usam o conhecimento.” (STERNBERG, 2000, p.30).
Ela cresce muito no final da década de 70 e alcança um reconhecimento importante como um campo de estudo da psicologia e passa a ter um conjunto característico de métodos de pesquisa.

Método de Estudo
Quando falamos em pesquisa na psicologia cognitiva, somos remetidos à ideia de que, passaremos a ver a observação a analise apenas dos processos da mente, porem, assim como as demais áreas da ciência, ela nos apresenta toda uma sistemática metodológica de processos que tendem a confirmar ou refutar as suas teses. De uma forma bem resumida, poderemos dizer que para alcançar seus objetivos “[...] incluem a coleta de dados, a analise de dados, o desenvolvimento teórico, a formulação da hipótese, o teste de hipótese e talvez até a aplicação de meios externos ao ambiente da pesquisa.” (STERNBERG, 2000, p.31).
Vimos que há uma trajetória metodológica para alcançar os objetos pelos pesquisadores da psicologia cognitiva, onde, mesmo que o foco principal sejam os processos cognitivos, ela deverá trilhar os caminhos do convencionalismo cientifico, por exemplo: A coleta de dados “[...] que reflete um aspecto empírico da investigação cientifica [...]” (STERNBERG, 2000, p.32).
O pesquisador pode ou ter noções preconcebidas do seu objeto de estudo, mas uma vez que esteja de posse dos dados coletados isto permitira várias séries de analises estatísticas para a formulação de descrições dos resultados ora apresentados, assim, teremos a formulação das hipóteses.
As hipóteses precisam passar pelo crivo da experimentação. Mas o que seria isso? _Elas seriam novamente submetidas à validação dos dados para a validação deste saber.
Segundo Sternberg, a psicologia cognitiva tem desenvolvida e confirmada, em seu histórico de desenvolvimento, uma metodologia especifica para a pesquisa, descrita a seguir: “[...] (a) experimentos controlados de laboratório ou outros, (b) pesquisa psicobiológica, (c) auto-relatos, (d) estudos de casos, (e) observação naturalista e (f) simulações computadorizadas e inteligência artificial.” (STERNBERG, 2000, p.32).
Sternberg descreve também, uma técnica específica para a pesquisa Psicobiológica, composta geralmente por três categorias distintas:
[...] (1) técnicas para estudar o cérebro de uma pessoa post-mortem (após a morte de um indivíduo), relacionando a função cognitiva do mesmo anterior à morte com características cerebrais observáveis; (2) técnicas para estudar imagens que mostram as estruturas ou as atividades no cérebro de uma pessoa sabidamente possuidora de um déficit cognitivo especifico; ou (3) técnicas para obter informações sobre os processos cerebrais durante o desempenho de uma atividade cognitiva. (STERNBERG, 2000, p.33).
A pesquisa em psicologia cognitiva abrange um campo interdisciplinar, utilizando-se das descobertas da neurociência com relação à cognição, da psicobiologia, da inteligência artificial, da filosofia, da linguística e da antropologia. Destes conhecimentos adquiridos, os pesquisadores cognitivos buscam a descrição de como os seres humanos adquirem e da sua utilização.

Objeto de Estudo

Segundo Sternberg, algumas propostas devem ser levadas em consideração, pois algumas destas questões se aproximam do âmago da natureza da mente humana.
1) Questões–chave na psicologia cognitiva:[8]
a) O que influencia mais a cognição humana – a natureza ou a educação humana? A metodologia de pesquisa a ser desenvolvida passara necessariamente por indagações como estas e uma vez que focalizarmos a primeira tenderemos a valorizarmos mais as características cognitivas inatas – tendendo para uma valorização dos aspectos da fisiologia –, focando a segunda, o ambiente passa ter maior peso na sistemática da pesquisa.
b) Racionalismo versus empirismo – Nesta dialética buscamos descobrir a realidade sobre nós – características intrínsecas ao ser –, e sobre o mundo que nos cerca, mas como descobrir está realidade? Na busca pela razão ou através da percepção?
c) Estruturas versus processos – Qual dos dois atenderia melhor as indagações da pesquisa: Uma abordagem estrutural (conteúdos, atributos e produtos) da mente humana ou a analise dos processos cognitivos do pensamento?
d) Generalidade de domínio versus especificidade de domínio – Na observação de processos, estes estão ligados a domínios individuais ou gerais? Os resultados de um determinado domínio são aplicáveis a todos os demais domínios ou apenas a aqueles observados?
e) Validade das inferências causais versus validade ecológica – No estudo do pensamento devemos nos ater a experimentos altamente controlados, que possibilitam uma obtenção de maiores inferências validos ou utilizarmos técnicas mais comuns (naturais), que por sua vez permitiram uma probabilidade de resultados economicamente validos, ainda que necessário o controle experimental?
f) Pesquisa básica versus pesquisa aplicada – Qual deve ser a foco do psicólogo pesquisador? Pesquisar os processos cognitivos primários ou a colocar em pratica este conhecimento para auxiliar as pessoas a usarem a cognição em situações práticas.


[1] John Broadus Watson (1878-1958) foi considerado o pai do behaviorismo metodológico, ao publicar, em 1913, o artigo "Psicologia vista por um Behaviorista", que declarava a psicologia como um ramo puramente objetivo e experimental das ciências naturais, e que tinha como finalidade prever e controlar o comportamento de todo e qualquer indivíduo. Disponível em: < http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos_Psicologia/Behaviorismo. htm>. Acesso em: 03 mai. 2013.
[2] Burrhus Frederic Skinner (1904 - 1990), psicólogo americano comumente tido, - erroneamente, como o fundador do Behaviorismo. Foi o mais famoso representante desta corrente da psicologia, fundada por seu compatriota John Watson. Desenvolveu os princípios do condicionamento operante e a sistematização do modelo de seleção por consequências para explicar o comportamento. Disponível em: < http://www.cobra.pages.nom.br/ecp-skinner.html >. Acesso em: 03 mai. 2013.
[3] O Verbal Behavior é considerado a obra mais importante de B. F. Skinner. Pela sua importância
este livro foi amplamente discutido e criticado.
Disponível em: < http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/ view/414 >. Acesso em: 04 mai. 2013.
[4] Chomsky nasceu na Filadélfia, Estados Unidos, em 1928. Em 1945 começou a estudar filosofia e linguística na Universidade da Pensilvânia, onde também fez seu doutorado dez anos depois. Mas foi nos anos anteriores, em Harvard, que ele desenvolveu a maior parte de sua pesquisa. A sua tese de doutorado, um trabalho de mais de mil páginas, apresentava suas ideias originais sobre linguística e suas críticas à teoria de Skinner. Disponível em: <  http://redeglobo.globo.com/globociencia/noticia/2011/09/saussure-skinner-e-chomsky-deram-grandes-contribuicoes-linguistica.html >. Acesso em: 03 mai. 2013.
[5] George A. Miller, em pleno George Armitage Miller (nascido em 03 de fevereiro de 1920, Charleston, West Virginia, nos EUA faleceu em 22 de julho de 2012 Plainsboro, New Jersey), psicólogo americano. He taught at Harvard, Rockefeller, and Princeton universities. Lecionou em Harvard, Rockefeller, Princeton e universidades. He is known for his work in cognitive psychology, particularly communication and psycholinguistics. Ele é conhecido por seu trabalho em psicologia cognitiva, especialmente a comunicação e psicolinguística. In Plans and the Structure of Behavior (with Eugene Galanter and Karl Pribram, 1960), Miller examined how knowledge is accumulated and organized into a practical “image” or plan. Em Planos e da estrutura do comportamento (com Eugene Galanter e Karl Pribram, 1960), Miller analisou a forma como o conhecimento é acumulado e organizado em uma "imagem" prático ou plano. Disponível em: <http://www.britannica.com/EBchecked/topic/1382641/George-A-Miller>. Acesso em: 12 mai. 2013.He also contributed to the birth of psycholinguistics and cognitive science in general.
[6] Nascido em Kiel, na Alemanha, Ulric Neisser foi para os Estados Unidos, juntamente com os pais, aos três anos. Depois de obter a graduação com bacharel em Harvard, em 1950, recebeu o título de mestrado na Swarthmore College, estudando sob a orientação do psicólogo da Gestalt, Wolfgang Köhler. Retornou a Harvard para obter o Ph.D, que completou em 1956. Disponível em: < http://www.psicoloucos.com/Ulric-Neisser/biografia-de-ulric-neisser.html >. Acesso em: 04 mai. 2013.
[7] Psicólogo norte-americano, Abraham Maslow foi o criador da hierarquia de necessidades, conhecida como a “Pirâmide de Maslow”. Disponível em: <http://www.infoescola.com/biografias/abraham-maslow/>. Acesso em: 04 mai. 2013.
[8] Sternberg, Robert J., (2000). Psicologia Cognitiva. Trad. Maria Regina Borges Osório. Artmed. p. 38.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Resenha do Filme Passageiros (2008)





Resenha do vídeo-filme Passageiros (2008), apresentado em sala de Aula, na disciplina de História da Psicologia, como pré-requisito do trabalho desta disciplina. Na Faculdade FAMA, Vilhena – RO.

No inicio da trama (filme) temos um grupo de pessoas que são apresentadas como “os sobreviventes” de um trágico acidente de avião, estes necessitam fazer terapia de grupo devido à gravidade do acidente e das possíveis sequelas psíquicas que poderiam advir deste o traumático episodio.

Entra em cena a Psiquiatra, Claire, encarregada de realizar a terapia com aqueles que estavam no acidente, ela conhece Eric um dos “sobreviventes” que parece ter desenvolvido habilidades extrassensoriais.

No decorrer das seções são apresentados os pacientes que vão descrevendo as suas historias – dentro de suas próprias capacidades de percepção da leitura da realidade – e fatos estranhos começam a acontecer. As pessoas começam a sumir misteriosamente, este fato nos “leva” a pensar de forma semelhante a nossa protagonista: Que acredita que a Companhia aérea teve algo de irregular neste acidente aéreo e agora está sumindo com os sobreviventes.

Ela passa a exercer um papel que vai além das atribuições profissionais, começa a questionar-se e investigar sobre as reais intenções da Companhia aérea sobre aquele grupo de pacientes e se envolve emocionalmente com Eric, indo muito além do que a ética profissional permite ao terapeuta estabelecer numa relação paciente-terapeuta.

A trama do filme apresentada e envolvente e elaborada de forma que ficamos presos à leitura da realidade descrita segundo a visão da protagonista. Quase no final do filme, ela descobre a verdade que emerge como a mais provável, todo o grupo de pacientes estão mortos inclusive ela, e toda a historia que eles estão vivenciando faz parte de um processo de percepção e aceitação de uma nova realidade – a de que nenhum deles sobreviveu ao acidente de avião e ela estava lá, ao lado de Eric –.    


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Estruturalismo com Wilhelm Wundt e o Associacionismo



Estruturalismo com Wilhelm Wundt
       No final do século XIX, a psicologia ainda não era conceituada ou definida como uma ciência, ela permeava entre as disciplinas ou ciências da filosofia, fisiologia e a neurociência, entretanto, neste momento as circunstâncias torna-se propicias a “criação” deste novo campo do saber. Podemos dizer que o Zeitgeist apresentava uma convergência de ideais destes pesquisadores e cientistas em torno de uma nova abordagem sobre o estudo da psique.
          A iia de que os métodos das ciências físicas e biológicas poderiam se aplicar ao estudo de fenômenos mentais foi herdada do pensamento filosófico e das pesquisas fisiológicas dos séculos XVII a XIX. Essa época fervilhante constitui o cenário imediato do surgimento da psicologia moderna. Enquanto os filósofos do século passado preparavam o campo para a abordagem experimental do funcionamento da mente, os fisiologistas atacavam ardentemente os mesmos problemas a partir de outra direção, e davam largos passos à compreensão dos mecanismos corporais que estão na base dos processos mentais (SCHULTZ, 1981, p.18).
          Neste cenário aparece Wilhelm Wundt, na Alemanha, professor em Leipzig, que em “dezembro de 1879, em Leipzig, Alemanha, Wilhelm Wundt implantou o primeiro laboratório de psicologia do mundo. Em 1881, fundou a revista Philosophísche Studien (Estudos Filosóficos) [...] (SCHULTZ, 1981, p.19). Estava fundada a nova ciência da Psicologia.
          A contribuição de Wundt foi de suma importância, pois agregava em si, o perfil do pesquisador que relatava tudo na experimentação cientifica, assim como o professor que conseguia reunir em torno de si um nicho de debates favoráveis ao florescimento da psicologia.
a)        Objeto do Estudo
        Wilhelm Wundt ao observar as pesquisa no campo da Psicofísica de Gustav Theodor Fechner, vê uma metodologia eficiente e bem elaborada que “[...] mostraram ser aplicáveis a uma gama de problemas psicológicos muito mais amplos do que ele poderia imaginar, sendo usados ainda hoje na pesquisa psicológica, com apenas umas poucas modificações” (SCHULTZ, 1981, p.71). 
        Wundt lança os pilares para construir o seu próprio modelo, a psicologia experimental.
        A consciência passa a ser o objeto de estudo na psicologia Wundt, para isto ele desenvolveu uma metodologia que se assemelhava aos métodos utilizados pelos cientistas da época, principalmente os fisiologistas e físicos.
        As ideias de Wundt tinham como pilar o Voluntarismo – um termo que se refere ao poder que a vontade tem de organizar os conteúdos da mente em processos de pensamento de nível superior[1] – e este se chocavam com as abordagens dos empiristas e dos associacionistas, a contradição baseava-se no fato de que Wundt questionava a ideia deles sobre o fato de que a mente era coordenada por elementos estáticos, e apara ele, a mente ia além desta ideia mecânica e reducionista, ela era dinâmica nos seus processos e se auto-organizava ativamente, semelhante às propostas de John Stuart Mill.
b)       A Natureza da Experiência Consciente – O método
       O campo da pesquisa desenvolvida por Wundt considerava as experiências básicas “[...] que formam os estados de consciência ou os elementos mentais que a mente então organiza ativamente ou sintetiza.” (SCHULTZ, 1981, p.82). Para posteriormente realizar uma decomposição destas experiências que permitiriam elucidar os processos mentais.
     Como então perceber ou descobrir os processos básicos? Recorrendo ao método da introspecção[2] que, diga-se de passagem, não foi desenvolvido por Ele, mas que teve a sua marca devido à rigorosidade com que era aplicada nas pesquisas. “A inovação de Wundt foi a aplicação do controle experimental preciso às condições da introspecção” (SCHULTZ, 1981, p.82). Onde ele desenvolveu o método com regras organizacionais rígidas que deveriam ser seguidas por todos os seus alunos (pesquisadores):
[...] que obedeciam regras expcitas:
(1) o observador deve ser capaz de determinar quando o processo pode ser introduzido;
(2) ele deve estar num estado de prontidão ou de atenção concentrada;
(3) deve ser possível repetir a observação várias vezes;
(4) as condições experimentais devem ser passíveis de variação em termos de manipulação controlada dos estímulos. Esta última condição invoca a essência do método experimental: variar as condições da situação-estímulo e observar as modificações resultantes nas experiências do sujeito. (SCHULTZ, 1981, p.82).
        Segundo Wundt a nova ciência criada, a psicologia, deveria servir a três propósitos básicos:
(1) analisar os processos conscientes até chegar aos seus elementos básicos;  
(2) descobrir como esses elementos são sintetizados ou organizados; e
(3) determinar as leis de conexão que governam a sua organização. (SCHULTZ, 1981, p.83).
         Ele postulou algumas teorias que não resistiram a analise do tempo mas que na época tiveram impacto significativo sobre as correntes de pensamentos fluentes: tais como: as
        “[...] três dimensões independentes do sentimento: prazer-desprazer, tensão-relaxamento e excitação-depressão. Todo sentimento, afirmou ele, pode ser localizado em algum ponto desse espaço tridimensional(SCHULTZ, 1981, p.84), e o que ele chamava de psicologia cultural, “[...] a investigação dos vários estágios do desenvolvimento mental, manifestos na linguagem, na arte, nos mitos, nos costumes sociais, na lei e na moral.” (SCHULTZ, 1981, p.80).
          Sendo esta última de maior relevância, pelo fato de possibilitar uma divisão dentro da própria área em duas partes, a experimental e a social.

Associacionismo
          Logo após o plantio da semente mecanicista de Descartes temos um rápido florescer no campo das idéias empiristas e associacionistas, o que contribuiu de forma significativa no período embrionário da gestação da ciência da psicologia. Citamos como exemplo a obra de Hume que “[...] está situada no referencial mecanicista e dá continuidade ao desenvolvimento do empirismo e do associacionismo” (SCHULTZ, 1981, p.50). Eles relacionavam que as leis das associações de ideias tinham equivalência e relevância similar no estudo da mente, assim como as leis já estabelecidas, como por exemplo, a lei da gravidade na física.
Seus precursores mais importantes são:
1.    John Locke (1632-1704);
2.    George Berkeley (1685-1753)
3.    David Hume (1711-1776)
4.    David Hartley (1705-1757)
5.    James Mill (1773-1836)
6.    John Stuart Mill (1806-1873)

          A abordagem realizada pelos associacionistas, sobre os processos mentais, possibilitou uma lenta e gradativa substituição da cosmovisão (existente na época) dicotômica e mecanicista do ser humano, por uma abordagem que começa a conjecturar sobre os pontos de vistas analíticos e críticos ser humano como um “todo” capaz de realizar processos complexos e subjetivos.
          O movimento associacionista ganha força e respaldo ao apresentar um conjunto de leis que vão se estruturando no campo cientifico. Surgem com Locke e vão sendo expandindo e reestruturando até alcançar o seu ponto máximo com David Hume.
Segundo Hume, o campo psíquico é constituinte de impressões e ideias:
[...] as ideias associam-se principalmente quando existe entre elas uma proximidade espacial e quando são semelhantes e ainda sempre que se possa estabelecer uma relação de causa-efeito entre os acontecimentos que elas representam. As impressões seriam os dados primitivos recebidos através dos sentidos, enquanto as ideias seriam as cópias que a mente recolhe dessas mesmas impressões. Assim, o conhecimento tem origem nas sensações e nenhuma ideia poderia conter informação que não houvesse sido recolhida previamente pelos sentidos. As ideias não têm valor em si mesmas. O núcleo central da teoria psicológica baseia-se na ideia de que o conhecimento é alcançado mediante a associação de ideias seguindo os princípios de semelhança, continuidade espacial e temporal e causalidade. [3]

             Em síntese poderíamos dizer que, segundo kant, “[...] que a escola britânica concebia a percepção como uma impressão e combinação passiva de elementos sensoriais, [...](SCHULTZ, 1981, p.296). Uma evolução no modelo mecanicista, sem contudo promover uma emancipação desta dialética.
           Concluímos este trabalho ressaltando a importância do associacionismo como o polo inicial das teorias comportamentalista e do behaviorismo, pois como estas apresentava pontos em comum, tais como: a atribuição do ambiente como principal elemento da constituição das características humanas com foco centrado na experiência para construção do conhecimento e dos hábitos comportamentais.

Referências Bibliográficas
SCHULTZ, Duane. P., SCHULTZ, Sydney E., História da Psicologia Moderna. 5ª ed, São Paulo : Cultrix, 1981.

Introspecção, Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/introspeccao />. Acesso em: 29 mar. 2013.

Associacionismo. In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2013.

Disponível em: <http://www.infopedia.pt/$associacionismo>. Acesso em: 29 mar. 2013.





[1] Schultz, D. P., (1981). História da Psicologia Moderna. Cultrix. p. 81.

[2] Observação, por uma determinada pessoa, de seus próprios processos mentais; os psicólogos experimentalistas julgam irrealizável a introspecção nesta acepção; não obstante, admitem a introspecção provocada, método que consiste em submeter uma pessoa a estimulações definidas que reclamem resposta imediata, seguindo-se o relato dos estados subjetivos que a pessoa haja experimentado. Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/introspeccao/>. Acesso em: 29 mar. 2013.


[3] Disponível em: <http://www.infopedia.pt/$associacionismo>. Acesso em: 29 mar. 2013.