segunda-feira, 8 de abril de 2013

Estruturalismo com Wilhelm Wundt e o Associacionismo



Estruturalismo com Wilhelm Wundt
       No final do século XIX, a psicologia ainda não era conceituada ou definida como uma ciência, ela permeava entre as disciplinas ou ciências da filosofia, fisiologia e a neurociência, entretanto, neste momento as circunstâncias torna-se propicias a “criação” deste novo campo do saber. Podemos dizer que o Zeitgeist apresentava uma convergência de ideais destes pesquisadores e cientistas em torno de uma nova abordagem sobre o estudo da psique.
          A iia de que os métodos das ciências físicas e biológicas poderiam se aplicar ao estudo de fenômenos mentais foi herdada do pensamento filosófico e das pesquisas fisiológicas dos séculos XVII a XIX. Essa época fervilhante constitui o cenário imediato do surgimento da psicologia moderna. Enquanto os filósofos do século passado preparavam o campo para a abordagem experimental do funcionamento da mente, os fisiologistas atacavam ardentemente os mesmos problemas a partir de outra direção, e davam largos passos à compreensão dos mecanismos corporais que estão na base dos processos mentais (SCHULTZ, 1981, p.18).
          Neste cenário aparece Wilhelm Wundt, na Alemanha, professor em Leipzig, que em “dezembro de 1879, em Leipzig, Alemanha, Wilhelm Wundt implantou o primeiro laboratório de psicologia do mundo. Em 1881, fundou a revista Philosophísche Studien (Estudos Filosóficos) [...] (SCHULTZ, 1981, p.19). Estava fundada a nova ciência da Psicologia.
          A contribuição de Wundt foi de suma importância, pois agregava em si, o perfil do pesquisador que relatava tudo na experimentação cientifica, assim como o professor que conseguia reunir em torno de si um nicho de debates favoráveis ao florescimento da psicologia.
a)        Objeto do Estudo
        Wilhelm Wundt ao observar as pesquisa no campo da Psicofísica de Gustav Theodor Fechner, vê uma metodologia eficiente e bem elaborada que “[...] mostraram ser aplicáveis a uma gama de problemas psicológicos muito mais amplos do que ele poderia imaginar, sendo usados ainda hoje na pesquisa psicológica, com apenas umas poucas modificações” (SCHULTZ, 1981, p.71). 
        Wundt lança os pilares para construir o seu próprio modelo, a psicologia experimental.
        A consciência passa a ser o objeto de estudo na psicologia Wundt, para isto ele desenvolveu uma metodologia que se assemelhava aos métodos utilizados pelos cientistas da época, principalmente os fisiologistas e físicos.
        As ideias de Wundt tinham como pilar o Voluntarismo – um termo que se refere ao poder que a vontade tem de organizar os conteúdos da mente em processos de pensamento de nível superior[1] – e este se chocavam com as abordagens dos empiristas e dos associacionistas, a contradição baseava-se no fato de que Wundt questionava a ideia deles sobre o fato de que a mente era coordenada por elementos estáticos, e apara ele, a mente ia além desta ideia mecânica e reducionista, ela era dinâmica nos seus processos e se auto-organizava ativamente, semelhante às propostas de John Stuart Mill.
b)       A Natureza da Experiência Consciente – O método
       O campo da pesquisa desenvolvida por Wundt considerava as experiências básicas “[...] que formam os estados de consciência ou os elementos mentais que a mente então organiza ativamente ou sintetiza.” (SCHULTZ, 1981, p.82). Para posteriormente realizar uma decomposição destas experiências que permitiriam elucidar os processos mentais.
     Como então perceber ou descobrir os processos básicos? Recorrendo ao método da introspecção[2] que, diga-se de passagem, não foi desenvolvido por Ele, mas que teve a sua marca devido à rigorosidade com que era aplicada nas pesquisas. “A inovação de Wundt foi a aplicação do controle experimental preciso às condições da introspecção” (SCHULTZ, 1981, p.82). Onde ele desenvolveu o método com regras organizacionais rígidas que deveriam ser seguidas por todos os seus alunos (pesquisadores):
[...] que obedeciam regras expcitas:
(1) o observador deve ser capaz de determinar quando o processo pode ser introduzido;
(2) ele deve estar num estado de prontidão ou de atenção concentrada;
(3) deve ser possível repetir a observação várias vezes;
(4) as condições experimentais devem ser passíveis de variação em termos de manipulação controlada dos estímulos. Esta última condição invoca a essência do método experimental: variar as condições da situação-estímulo e observar as modificações resultantes nas experiências do sujeito. (SCHULTZ, 1981, p.82).
        Segundo Wundt a nova ciência criada, a psicologia, deveria servir a três propósitos básicos:
(1) analisar os processos conscientes até chegar aos seus elementos básicos;  
(2) descobrir como esses elementos são sintetizados ou organizados; e
(3) determinar as leis de conexão que governam a sua organização. (SCHULTZ, 1981, p.83).
         Ele postulou algumas teorias que não resistiram a analise do tempo mas que na época tiveram impacto significativo sobre as correntes de pensamentos fluentes: tais como: as
        “[...] três dimensões independentes do sentimento: prazer-desprazer, tensão-relaxamento e excitação-depressão. Todo sentimento, afirmou ele, pode ser localizado em algum ponto desse espaço tridimensional(SCHULTZ, 1981, p.84), e o que ele chamava de psicologia cultural, “[...] a investigação dos vários estágios do desenvolvimento mental, manifestos na linguagem, na arte, nos mitos, nos costumes sociais, na lei e na moral.” (SCHULTZ, 1981, p.80).
          Sendo esta última de maior relevância, pelo fato de possibilitar uma divisão dentro da própria área em duas partes, a experimental e a social.

Associacionismo
          Logo após o plantio da semente mecanicista de Descartes temos um rápido florescer no campo das idéias empiristas e associacionistas, o que contribuiu de forma significativa no período embrionário da gestação da ciência da psicologia. Citamos como exemplo a obra de Hume que “[...] está situada no referencial mecanicista e dá continuidade ao desenvolvimento do empirismo e do associacionismo” (SCHULTZ, 1981, p.50). Eles relacionavam que as leis das associações de ideias tinham equivalência e relevância similar no estudo da mente, assim como as leis já estabelecidas, como por exemplo, a lei da gravidade na física.
Seus precursores mais importantes são:
1.    John Locke (1632-1704);
2.    George Berkeley (1685-1753)
3.    David Hume (1711-1776)
4.    David Hartley (1705-1757)
5.    James Mill (1773-1836)
6.    John Stuart Mill (1806-1873)

          A abordagem realizada pelos associacionistas, sobre os processos mentais, possibilitou uma lenta e gradativa substituição da cosmovisão (existente na época) dicotômica e mecanicista do ser humano, por uma abordagem que começa a conjecturar sobre os pontos de vistas analíticos e críticos ser humano como um “todo” capaz de realizar processos complexos e subjetivos.
          O movimento associacionista ganha força e respaldo ao apresentar um conjunto de leis que vão se estruturando no campo cientifico. Surgem com Locke e vão sendo expandindo e reestruturando até alcançar o seu ponto máximo com David Hume.
Segundo Hume, o campo psíquico é constituinte de impressões e ideias:
[...] as ideias associam-se principalmente quando existe entre elas uma proximidade espacial e quando são semelhantes e ainda sempre que se possa estabelecer uma relação de causa-efeito entre os acontecimentos que elas representam. As impressões seriam os dados primitivos recebidos através dos sentidos, enquanto as ideias seriam as cópias que a mente recolhe dessas mesmas impressões. Assim, o conhecimento tem origem nas sensações e nenhuma ideia poderia conter informação que não houvesse sido recolhida previamente pelos sentidos. As ideias não têm valor em si mesmas. O núcleo central da teoria psicológica baseia-se na ideia de que o conhecimento é alcançado mediante a associação de ideias seguindo os princípios de semelhança, continuidade espacial e temporal e causalidade. [3]

             Em síntese poderíamos dizer que, segundo kant, “[...] que a escola britânica concebia a percepção como uma impressão e combinação passiva de elementos sensoriais, [...](SCHULTZ, 1981, p.296). Uma evolução no modelo mecanicista, sem contudo promover uma emancipação desta dialética.
           Concluímos este trabalho ressaltando a importância do associacionismo como o polo inicial das teorias comportamentalista e do behaviorismo, pois como estas apresentava pontos em comum, tais como: a atribuição do ambiente como principal elemento da constituição das características humanas com foco centrado na experiência para construção do conhecimento e dos hábitos comportamentais.

Referências Bibliográficas
SCHULTZ, Duane. P., SCHULTZ, Sydney E., História da Psicologia Moderna. 5ª ed, São Paulo : Cultrix, 1981.

Introspecção, Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/introspeccao />. Acesso em: 29 mar. 2013.

Associacionismo. In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2013.

Disponível em: <http://www.infopedia.pt/$associacionismo>. Acesso em: 29 mar. 2013.





[1] Schultz, D. P., (1981). História da Psicologia Moderna. Cultrix. p. 81.

[2] Observação, por uma determinada pessoa, de seus próprios processos mentais; os psicólogos experimentalistas julgam irrealizável a introspecção nesta acepção; não obstante, admitem a introspecção provocada, método que consiste em submeter uma pessoa a estimulações definidas que reclamem resposta imediata, seguindo-se o relato dos estados subjetivos que a pessoa haja experimentado. Disponível em: <http://www.dicionarioinformal.com.br/introspeccao/>. Acesso em: 29 mar. 2013.


[3] Disponível em: <http://www.infopedia.pt/$associacionismo>. Acesso em: 29 mar. 2013.

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