segunda-feira, 17 de junho de 2013

PSICOLOGIA COGNITIVA



Trabalho realizado pelo grupo de alunos: Ana Beatriz Cavalcante, Carlos, Elizabete, Marcelo Pedro Marinho, Susilena, como pré-requisito da disciplina de História da Psicologia, na Faculdade FAMA, Vilhena – RO.

Desenvolvimento
Sabemos que a psicologia cognitiva é um campo da psicologia, que vem apresentado um crescimento significativamente relevante nesta última década, mas pergunta-se: - O que é a psicologia cognitiva? Na busca de uma definição podemos dizer que “[...] a psicologia cognitiva trata do modo como às pessoas percebem, aprendem, recordam e pensam sobre a informação.” (STERNBERG, 2000, p.22).
Numa abordagem histórica da psicologia, somos reportados para os primórdios da filosofia, onde temos duas linhas distintas de pensamentos na construção do saber: Platão com uma abordagem racionalista (a verdade poderia ser obtida através da razão ou da lógica) e Aristóteles com uma abordagem empirista (a verdade poderia ser obtida por meio da experiência e da observação – através dos sentidos). O filosofo alemão Immanuel kant, diante destas duas abordagens, da inicio a uma síntese dialética destas duas escolas de pensamentos que, resultou em uma profunda mudança no campo da nova ciência. “O enorme impacto de Kant na filosofia interagiu com a exploração cientifica do corpo e de como este funciona, no século XIX, produzindo profundas influências no estabelecimento definitivo da psicologia como uma disciplina, [...]” (STERNBERG, 2000, p.25).
O conhecimento filosófico aliado às novas descobertas no campo da fisiologia, no período do final do século XVIII e início do Século XIX, propiciou o nascimento de uma nova área da ciência denominada pelos seus próprios criadores como: Psicologia.
A ideia de que os métodos das ciências físicas e biológicas poderiam se aplicar ao estudo de fenômenos mentais foi herdada do pensamento filosófico e das pesquisas fisiológicas dos séculos XVII a XIX. Essa época fervilhante constitui o cenário imediato do surgimento da psicologia moderna. Enquanto os filósofos do século passado preparavam o campo para a abordagem experimental do funcionamento da mente, os fisiologistas atacavam ardentemente os mesmos problemas a partir de outra direção, e davam largos passos à compreensão dos mecanismos corporais que estão na base dos processos mentais (SCHULTZ, 1981, p.18).
 A psicologia crescia como uma disciplina cientifica com foco de estudo na mente e no comportamento, gradualmente se emancipava da filosofia e da fisiologia. Inicialmente passa pelo campo do Estruturalismo, seguido depois pelo Funcionalismo, o Associacionismo e finalmente o Behaviorismo. Estes últimos dando grande ênfase ao comportamento observável.
No grupo dos Behavioristas, alguns começaram a ir além da temática exclusivamente comportamental, questionaram sobre os mistérios da “caixa-preta” da mente e a sua influencia sobre o ser. Edward Tolman era um desses visionários que ousou ir além do modelo predominante até o momento do Estímulo-Resposta (E – R), pois, segundo ele “Uma descrição completa do comportamento tinha de ser Estímulo-Organismo-Resposta (E – O – R), reconhecendo o fato de que o comportamento não ocorre em um vácuo mental.” (STERNBERG, 2000, p.29), graças a esta implicação ele é considerado um dos predecessores da psicologia cognitiva.
 Um dos discípulos de Watson[1], Karl Spencer Lashley, inclinado ao estudo da neuroanatomia, apresenta o cérebro como um dos pilares centrais na governabilidade das atividades humanas. A complexidade de algumas atividades não poderia ser explicada apenas pelo modelo behaviorista do Estímulo-Resposta (E – R), como por exemplo, “[...] o desempenho musical, as atividades esportivas e o uso da linguagem – [...]” (STERNBERG, 2000, p.30).
B. F. Skinner[2] combate esta ideia em larga dissertação (livro)[3] reafirmando que toda a linguagem poderia ser adquirida e usada apenas com o modelo de contingencia do Estímulo-Resposta. Este trabalho é confrontado com a publicação do livro Estruturas Sintático (1957) do linguista Avram Noam Chomsky[4], que passa a apresentar uma gama de possibilidades e complexidades que excede as capacidades eliciadas no modelo behaviorista. “Mesmo as crianças pequenas estão continuamente produzindo novas frases para as quais não poderiam ter sido reforçadas no passado”. (STERNBERG, 2000, p.30).
Outro opositor a abordagem behaviorismo foi George Miller[5], doutor em psicologia, dedicado ao estudo da psicolinguística, publica em 1951 Language and Communication (Linguagem da Comunicação) e cria um Centro de pesquisas cognitivas na Universidade de Harvard. Interessante o fato de que ele mesmo não tinha em mente a dimensão do que a “nova psicologia” poderia alcançar, “[...] Miller não acreditava que a psicologia cognitiva fosse uma verdadeira revolução.” (SCHULTZ, 1981, p. 406).
Miller estabelece o programa de ciências cognitivas e abre na Universidade de Princeton, o laboratório de ciências cognitivas. Torna-se o precursor na sistematização dos estudos desta disciplina, o que é precedido pelo rápido desenvolvimento da abordagem de psicologia que ele tanto se empenhou em defir.       
Na década de 50 aparece em sena Ulric Neisser[6], que influenciado pelo seu professor de psicologia George Miller, apresenta um crescente interesse pela abordagem cognitiva da psicologia. Como aconteceu com seus demais predecessores, ele se depara com a “muralha” da psicologia behaviorista que era, em ultima estância, quem dava a palavra final sobre a ciência da psicologia. Graças a Abrahan Maslow[7], diretor do departamento de psicologia na Brandeis University que Ulric pode continuar a desenvolver seus estudos nas questões cognitivas.
Uma das primeiras definições de psicologia cognitiva é realizada mediante o trabalho visionário de Neisser onde, ela conceituada como “[...] o estudo da maneira como as pessoas aprendem, estruturam, armazenam e usam o conhecimento.” (STERNBERG, 2000, p.30).
Ela cresce muito no final da década de 70 e alcança um reconhecimento importante como um campo de estudo da psicologia e passa a ter um conjunto característico de métodos de pesquisa.

Método de Estudo
Quando falamos em pesquisa na psicologia cognitiva, somos remetidos à ideia de que, passaremos a ver a observação a analise apenas dos processos da mente, porem, assim como as demais áreas da ciência, ela nos apresenta toda uma sistemática metodológica de processos que tendem a confirmar ou refutar as suas teses. De uma forma bem resumida, poderemos dizer que para alcançar seus objetivos “[...] incluem a coleta de dados, a analise de dados, o desenvolvimento teórico, a formulação da hipótese, o teste de hipótese e talvez até a aplicação de meios externos ao ambiente da pesquisa.” (STERNBERG, 2000, p.31).
Vimos que há uma trajetória metodológica para alcançar os objetos pelos pesquisadores da psicologia cognitiva, onde, mesmo que o foco principal sejam os processos cognitivos, ela deverá trilhar os caminhos do convencionalismo cientifico, por exemplo: A coleta de dados “[...] que reflete um aspecto empírico da investigação cientifica [...]” (STERNBERG, 2000, p.32).
O pesquisador pode ou ter noções preconcebidas do seu objeto de estudo, mas uma vez que esteja de posse dos dados coletados isto permitira várias séries de analises estatísticas para a formulação de descrições dos resultados ora apresentados, assim, teremos a formulação das hipóteses.
As hipóteses precisam passar pelo crivo da experimentação. Mas o que seria isso? _Elas seriam novamente submetidas à validação dos dados para a validação deste saber.
Segundo Sternberg, a psicologia cognitiva tem desenvolvida e confirmada, em seu histórico de desenvolvimento, uma metodologia especifica para a pesquisa, descrita a seguir: “[...] (a) experimentos controlados de laboratório ou outros, (b) pesquisa psicobiológica, (c) auto-relatos, (d) estudos de casos, (e) observação naturalista e (f) simulações computadorizadas e inteligência artificial.” (STERNBERG, 2000, p.32).
Sternberg descreve também, uma técnica específica para a pesquisa Psicobiológica, composta geralmente por três categorias distintas:
[...] (1) técnicas para estudar o cérebro de uma pessoa post-mortem (após a morte de um indivíduo), relacionando a função cognitiva do mesmo anterior à morte com características cerebrais observáveis; (2) técnicas para estudar imagens que mostram as estruturas ou as atividades no cérebro de uma pessoa sabidamente possuidora de um déficit cognitivo especifico; ou (3) técnicas para obter informações sobre os processos cerebrais durante o desempenho de uma atividade cognitiva. (STERNBERG, 2000, p.33).
A pesquisa em psicologia cognitiva abrange um campo interdisciplinar, utilizando-se das descobertas da neurociência com relação à cognição, da psicobiologia, da inteligência artificial, da filosofia, da linguística e da antropologia. Destes conhecimentos adquiridos, os pesquisadores cognitivos buscam a descrição de como os seres humanos adquirem e da sua utilização.

Objeto de Estudo

Segundo Sternberg, algumas propostas devem ser levadas em consideração, pois algumas destas questões se aproximam do âmago da natureza da mente humana.
1) Questões–chave na psicologia cognitiva:[8]
a) O que influencia mais a cognição humana – a natureza ou a educação humana? A metodologia de pesquisa a ser desenvolvida passara necessariamente por indagações como estas e uma vez que focalizarmos a primeira tenderemos a valorizarmos mais as características cognitivas inatas – tendendo para uma valorização dos aspectos da fisiologia –, focando a segunda, o ambiente passa ter maior peso na sistemática da pesquisa.
b) Racionalismo versus empirismo – Nesta dialética buscamos descobrir a realidade sobre nós – características intrínsecas ao ser –, e sobre o mundo que nos cerca, mas como descobrir está realidade? Na busca pela razão ou através da percepção?
c) Estruturas versus processos – Qual dos dois atenderia melhor as indagações da pesquisa: Uma abordagem estrutural (conteúdos, atributos e produtos) da mente humana ou a analise dos processos cognitivos do pensamento?
d) Generalidade de domínio versus especificidade de domínio – Na observação de processos, estes estão ligados a domínios individuais ou gerais? Os resultados de um determinado domínio são aplicáveis a todos os demais domínios ou apenas a aqueles observados?
e) Validade das inferências causais versus validade ecológica – No estudo do pensamento devemos nos ater a experimentos altamente controlados, que possibilitam uma obtenção de maiores inferências validos ou utilizarmos técnicas mais comuns (naturais), que por sua vez permitiram uma probabilidade de resultados economicamente validos, ainda que necessário o controle experimental?
f) Pesquisa básica versus pesquisa aplicada – Qual deve ser a foco do psicólogo pesquisador? Pesquisar os processos cognitivos primários ou a colocar em pratica este conhecimento para auxiliar as pessoas a usarem a cognição em situações práticas.


[1] John Broadus Watson (1878-1958) foi considerado o pai do behaviorismo metodológico, ao publicar, em 1913, o artigo "Psicologia vista por um Behaviorista", que declarava a psicologia como um ramo puramente objetivo e experimental das ciências naturais, e que tinha como finalidade prever e controlar o comportamento de todo e qualquer indivíduo. Disponível em: < http://www.portaldomarketing.com.br/Artigos_Psicologia/Behaviorismo. htm>. Acesso em: 03 mai. 2013.
[2] Burrhus Frederic Skinner (1904 - 1990), psicólogo americano comumente tido, - erroneamente, como o fundador do Behaviorismo. Foi o mais famoso representante desta corrente da psicologia, fundada por seu compatriota John Watson. Desenvolveu os princípios do condicionamento operante e a sistematização do modelo de seleção por consequências para explicar o comportamento. Disponível em: < http://www.cobra.pages.nom.br/ecp-skinner.html >. Acesso em: 03 mai. 2013.
[3] O Verbal Behavior é considerado a obra mais importante de B. F. Skinner. Pela sua importância
este livro foi amplamente discutido e criticado.
Disponível em: < http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/ view/414 >. Acesso em: 04 mai. 2013.
[4] Chomsky nasceu na Filadélfia, Estados Unidos, em 1928. Em 1945 começou a estudar filosofia e linguística na Universidade da Pensilvânia, onde também fez seu doutorado dez anos depois. Mas foi nos anos anteriores, em Harvard, que ele desenvolveu a maior parte de sua pesquisa. A sua tese de doutorado, um trabalho de mais de mil páginas, apresentava suas ideias originais sobre linguística e suas críticas à teoria de Skinner. Disponível em: <  http://redeglobo.globo.com/globociencia/noticia/2011/09/saussure-skinner-e-chomsky-deram-grandes-contribuicoes-linguistica.html >. Acesso em: 03 mai. 2013.
[5] George A. Miller, em pleno George Armitage Miller (nascido em 03 de fevereiro de 1920, Charleston, West Virginia, nos EUA faleceu em 22 de julho de 2012 Plainsboro, New Jersey), psicólogo americano. He taught at Harvard, Rockefeller, and Princeton universities. Lecionou em Harvard, Rockefeller, Princeton e universidades. He is known for his work in cognitive psychology, particularly communication and psycholinguistics. Ele é conhecido por seu trabalho em psicologia cognitiva, especialmente a comunicação e psicolinguística. In Plans and the Structure of Behavior (with Eugene Galanter and Karl Pribram, 1960), Miller examined how knowledge is accumulated and organized into a practical “image” or plan. Em Planos e da estrutura do comportamento (com Eugene Galanter e Karl Pribram, 1960), Miller analisou a forma como o conhecimento é acumulado e organizado em uma "imagem" prático ou plano. Disponível em: <http://www.britannica.com/EBchecked/topic/1382641/George-A-Miller>. Acesso em: 12 mai. 2013.He also contributed to the birth of psycholinguistics and cognitive science in general.
[6] Nascido em Kiel, na Alemanha, Ulric Neisser foi para os Estados Unidos, juntamente com os pais, aos três anos. Depois de obter a graduação com bacharel em Harvard, em 1950, recebeu o título de mestrado na Swarthmore College, estudando sob a orientação do psicólogo da Gestalt, Wolfgang Köhler. Retornou a Harvard para obter o Ph.D, que completou em 1956. Disponível em: < http://www.psicoloucos.com/Ulric-Neisser/biografia-de-ulric-neisser.html >. Acesso em: 04 mai. 2013.
[7] Psicólogo norte-americano, Abraham Maslow foi o criador da hierarquia de necessidades, conhecida como a “Pirâmide de Maslow”. Disponível em: <http://www.infoescola.com/biografias/abraham-maslow/>. Acesso em: 04 mai. 2013.
[8] Sternberg, Robert J., (2000). Psicologia Cognitiva. Trad. Maria Regina Borges Osório. Artmed. p. 38.

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