Estruturalismo com Wilhelm
Wundt
No final do século XIX, a psicologia ainda não era
conceituada ou definida como uma ciência, ela permeava entre as disciplinas ou
ciências da filosofia, fisiologia e a neurociência, entretanto, neste momento as
circunstâncias torna-se propicias a “criação” deste novo campo do saber.
Podemos dizer que o Zeitgeist
apresentava uma convergência de ideais destes pesquisadores e cientistas em
torno de uma nova abordagem sobre o estudo da psique.
A idéia
de que os métodos das ciências físicas e biológicas poderiam se aplicar ao estudo de fenômenos mentais foi herdada
do pensamento filosófico e
das pesquisas fisiológicas
dos séculos XVII
a XIX. Essa época
fervilhante constitui o cenário imediato do surgimento da psicologia moderna. Enquanto os filósofos do século passado preparavam
o campo para a abordagem experimental do funcionamento da mente, os fisiologistas atacavam
ardentemente os mesmos problemas a partir de
outra direção, e davam largos passos à
compreensão dos mecanismos corporais que estão na
base dos processos mentais
(SCHULTZ, 1981, p.18).
Neste cenário aparece Wilhelm Wundt,
na Alemanha, professor em Leipzig, que em “dezembro de 1879, em Leipzig, Alemanha, Wilhelm Wundt implantou o primeiro laboratório de psicologia do
mundo. Em 1881, fundou a revista Philosophísche
Studien (Estudos Filosóficos)
[...]” (SCHULTZ, 1981, p.19). Estava fundada a nova ciência da Psicologia.
A contribuição de Wundt foi de suma importância, pois
agregava em si, o perfil do pesquisador que relatava tudo na experimentação
cientifica, assim como o professor que conseguia reunir em torno de si um nicho
de debates favoráveis ao florescimento da psicologia.
a)
Objeto do
Estudo
Wilhelm Wundt
ao observar as pesquisa no campo da Psicofísica de Gustav Theodor Fechner, vê uma metodologia eficiente e bem elaborada que “[...] mostraram
ser aplicáveis a
uma gama de problemas psicológicos muito mais amplos do que ele poderia imaginar, sendo usados ainda hoje na
pesquisa psicológica, com apenas umas poucas modificações” (SCHULTZ, 1981, p.71).
Wundt lança os pilares para construir o seu próprio modelo, a psicologia
experimental.
A consciência passa a ser
o objeto de estudo na psicologia Wundt, para isto ele desenvolveu uma
metodologia que se assemelhava aos métodos utilizados pelos cientistas da
época, principalmente os fisiologistas e físicos.
As ideias de Wundt tinham
como pilar o Voluntarismo – um
ter
mo
que
se refere
ao poder que
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– e este
se chocavam com as abordagens dos
empiristas e dos associacionistas, a contradição baseava-se no fato de que Wundt
questionava a ideia deles sobre o fato de que a mente era coordenada por
elementos estáticos, e apara ele, a mente ia além desta ideia mecânica e reducionista,
ela era dinâmica nos seus processos e se auto-organizava ativamente, semelhante
às propostas de John Stuart Mill.
b)
A Natureza da Experiência Consciente – O método
O campo da pesquisa desenvolvida por Wundt considerava as
experiências básicas “[...] que formam os
estados de consciência ou os elementos mentais que
a mente então organiza ativamente ou
sintetiza.”
(SCHULTZ, 1981, p.82). Para
posteriormente realizar uma decomposição destas experiências que permitiriam
elucidar os processos mentais.
Como então perceber ou descobrir os processos básicos?
Recorrendo ao método da introspecção
que, diga-se de passagem, não foi desenvolvido por Ele, mas que teve a sua
marca devido à rigorosidade com que era
aplicada nas pesquisas. “A
inovação
de
Wundt
foi
a
ap
licação
do con
tro
le
exper
imen
tal
prec
iso
às
cond
ições
da
in
tro
specção”
(SCHULTZ, 1981, p.82). Onde ele
desenvolveu o método com regras organizacionais rígidas que deveriam ser
seguidas por todos os seus alunos (pesquisadores):
[...] que obedeciam regras explícitas:
(1) o observador
deve ser capaz de determinar quando
o processo pode ser introduzido;
(2) ele deve estar num estado
de prontidão ou de atenção concentrada;
(3) deve ser
possível repetir a observação
várias vezes;
(4) as condições experimentais devem ser passíveis de variação em
termos
de manipulação controlada dos estímulos. Esta última condição invoca a essência do
método
experimental: variar as condições da situação-estímulo e
observar as modificações resultantes nas experiências do
sujeito. (SCHULTZ, 1981, p.82).
Segundo Wundt a nova ciência criada, a psicologia, deveria
servir a três propósitos básicos:
(1) analisar os processos conscientes até chegar aos seus elementos básicos;
(2)
descobrir como esses elementos são
sintetizados ou organizados; e
(3) determinar as leis de
conexão que governam a sua
organização. (SCHULTZ, 1981, p.83).
Ele postulou algumas teorias que não resistiram a analise do
tempo mas que na época tiveram impacto significativo sobre as correntes de pensamentos
fluentes: tais como: as
“[...] três dimensões independentes do
sentimento: prazer-desprazer, tensão-relaxamento e excitação-depressão.
Todo sentimento, afirmou ele, pode
ser localizado em algum ponto desse espaço tridimensional” (SCHULTZ,
1981, p.84), e o que ele chamava de psicologia cultural, “[...] a investigação dos vários estágios do desenvolvimento mental, manifestos na linguagem, na
arte, nos mitos, nos costumes sociais, na
lei
e na moral.” (SCHULTZ,
1981, p.80).
Sendo esta última de maior relevância, pelo fato de
possibilitar uma divisão dentro da própria área em duas partes, a experimental
e a social.
Associacionismo
Logo após o plantio da semente mecanicista de Descartes
temos um rápido florescer no campo das idéias empiristas e associacionistas, o
que contribuiu de forma significativa no período embrionário da gestação da
ciência da psicologia. Citamos como exemplo a obra de Hume que “[...] está situada no
referencial mecanicista e dá continuidade ao
desenvolvimento do empirismo e do
associacionismo” (SCHULTZ,
1981, p.50). Eles relacionavam que as leis das associações de ideias
tinham equivalência e relevância similar no estudo da mente, assim como as leis
já estabelecidas, como por exemplo, a lei da gravidade na física.
Seus precursores mais importantes são:
1.
John Locke (1632-1704);
2.
George Berkeley (1685-1753)
3.
David Hume
(1711-1776)
4.
David Hartley (1705-1757)
5.
James Mill (1773-1836)
6.
John Stuart Mill (1806-1873)
A
abordagem realizada pelos associacionistas, sobre os processos mentais, possibilitou
uma lenta e gradativa substituição da cosmovisão (existente na época) dicotômica
e mecanicista do ser humano, por uma abordagem que começa a conjecturar sobre
os pontos de vistas analíticos e críticos ser
humano como um “todo” capaz de realizar processos complexos e subjetivos.
O
movimento associacionista ganha força e respaldo ao apresentar um conjunto de
leis que vão se estruturando no campo cientifico. Surgem com Locke e vão sendo
expandindo e reestruturando até alcançar o seu ponto máximo com David Hume.
Segundo
Hume, o campo psíquico é constituinte de impressões e ideias:
[...] as ideias
associam-se principalmente quando existe entre elas uma proximidade espacial e
quando são semelhantes e ainda sempre que se possa estabelecer uma relação de
causa-efeito entre os acontecimentos que elas representam. As impressões seriam
os dados primitivos recebidos através dos sentidos, enquanto as ideias seriam
as cópias que a mente recolhe dessas mesmas impressões. Assim, o conhecimento
tem origem nas sensações e nenhuma ideia poderia conter informação que não
houvesse sido recolhida previamente pelos sentidos. As ideias não têm valor em
si mesmas. O núcleo central da teoria psicológica baseia-se na ideia de que o
conhecimento é alcançado mediante a associação de ideias seguindo os princípios
de semelhança, continuidade espacial e temporal e causalidade.
Em
síntese poderíamos dizer que, segundo kant, “[...] que a escola britânica
concebia a percepção como uma impressão
e combinação passiva de elementos sensoriais, [...]” (SCHULTZ, 1981, p.296). Uma evolução no modelo
mecanicista, sem contudo promover uma emancipação desta dialética.
Concluímos
este trabalho ressaltando a importância do associacionismo como o polo inicial
das teorias comportamentalista e do behaviorismo, pois como estas apresentava
pontos em comum, tais como: a atribuição do ambiente como principal elemento da
constituição das características humanas com foco centrado na experiência para
construção do conhecimento e dos hábitos comportamentais.
Referências Bibliográficas
SCHULTZ, Duane. P., SCHULTZ, Sydney E., História da Psicologia Moderna. 5ª ed,
São Paulo : Cultrix, 1981.